domingo, 11 de fevereiro de 2018

batimento em vão

O coração a bater em seco
e a euforia desvanecida.
Encontro a saída no beco,
desapareço na linha da vida.

para encontrar o incerto,
lasca de safira...
Coração em armadilha,
espontânea, na mira.

Lenço de despedida
transformado em arte,
acautela-se a medida
até alcançar-te...


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

pérolas atlânticas

Percorri margens
de Tejo e Douro.
Belas miragens
de prata e ouro.

Mas quis o mar,
mostrar seu tesouro,
dançante à luz do luar,
encantando todo moçoilo.

São Ninfas e Nereidas
ora fugitivas, ora gentis
De Noite, sereias
de dia querubins.

Em lagoas,
quentes ou frias,
vistas boas,
quentes delícias.

Cascatas a correr
ao longo das ribeiras
moçoilas a tecer
no tear das cantadeiras.

Cantigas alegres
ou choro cantado
no fôlego de Hermes
que venha meu fado...

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Chama azul


A pele nua de um corpo ardente,
Calor de lua, Fogo reminiscente.

por entre toque dos dedos
uma ofegante exclamação
aguardo perder os medos
elevar-te desse chão

harmonia no destino,
que se torna leve.
Deixo aquele suspiro
agarro o que pede.

Solto no vinho
beijos sedentos
devagarinho
por entre ventos


manhã



sofro do calor das palavras
que ardem entre nós,
cartas abertas ao vento,
momentos tão juntos,
e sós.

alicerce de fogo,
numa casa de papel.
assim me toca,
letra por letra,
esse poema
mágico tema,
amor, trágico.

salobra água
que acalma,
este lume.
em quente caldo
minha ilha
flutua
de noite e de dia
até á montanha,
até ao seu cume.

azul mar su’alma,
faz me n’água levitar,
sem pressa, nem calma.
Fico e deixo me ficar.

Custa ver em tanta beleza
O manto triste da tristeza.
depressa tudo irá mudar
ficar alegria em seu lugar.



terça-feira, 27 de setembro de 2016

Milhafre

Nov 1, 2012

Milhafre em espirito

No ar alto, acorda a saudade,
a ilha sobre o mar.

na convicção do milhafre,
plana a certeza,
rumo à convicta,
roda da vida.

tornando,
vinho que brota
no plano exorta
além mares de bravo

heroísmo, na graça
em vôos, nas asas
bordadas, de massas
d’ouro, esvoaça.

sobre o azul,
ou debaixo dele,
mora o tempo,
deixa vê-lo.

Alheio ao mundo,
mas nele perdido,
presente futuro,
suspirado em grito.

Suores em casca
de alimento esquecido.
mostra o que lavras,
nosso ente vivido.

canta a cagarra

de novo de rota em rota,
desconhecido
tece, baila e tranceia
novo santo tecido.

onda em onda
sopra o sentido
quebra e torna
sopra, destino.

no olho do milhafre, em espirito

Lança e espada
pelo amor desferida
compaixão entrelaçada
perto, a distante despedida.

Açorianos guerreiros,
com seus santos padroeiros.
de eiras e pão, pedreiros.
de novas gentes hospedeiros.

Guardai dentro esta canção
pois se para vós é a cantoria
é porque em vós sinto.
pai nosso, filho, espirito santo
Vosso livre cancioneiro,
sorria.

sábado, 24 de setembro de 2016

O que é o Homem?

Natureza?
Perfeição?
Bicho que pensa, consciente dono da acção?
Que passa na noite
rasga o véu que teça
às margens da mão ferida
de odisseias transformadas,
história por descrever
Nessa teia inacabada.

Quando o mar é seu querer
O deserto é onde acaba

Jaz a lua no cantar da ave
livre e pouco amedrontada
Já o tempo é outro querer
é sua a noite clara

O que é o Homem?

lua inacabada?

Sol?

eterna levitação no crescer da madrugada

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Albergue

É sol, é dia, noite que brilha.
Vem de madrugada, ao romper da aurora
A luz divina que a mim me diz gira.
A cavalgar em manhã clara, 
Não é caixa de pandora,
Sobe aos céus quando a Paz implora.
Albergue de santos que na sua hora,
Trás fé pura, força anciã, que não demora!

Da longa noite estoirou como trovão,
Veio faísca de Deus, mostrar-nos a razão.
Hoje é dia certo, não mais chora a angústia,
Fez-se homem, cavalo e fontes de alegria
Tanto tempo passa mas o verso retorna
Á casa do senhor para que o verso 
ganhe forma.